"Onde mora a memória obscura,onde
esse cavalo persiste como um relâmpago de pedra,
onde o corpo se nega,onde a noite ensurdece,
caminho sobre pedras na minha casa pobre.
Não conheço esse lago,não fui a esse país.
Mas aqui é um termo ou princípio novo.
Com a baba do cavalo,com os seus nervos mais finos
reconstruí o corpo,silenciei os membros.
Não se estancou a sede,no mesmo caos de agora,
mas a língua rebenta,as vértebras estalam
por uma nova língua,por um cavalo que una
a terra à tua boca,e a tua boca à água".
António Ramos Rosa de Ciclo do Cavalo(1975)
domingo, 20 de dezembro de 2009
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Não se Reconquista o Amor com Argumentos
"(...) Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo."
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Súplica
"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."
Miguel Torga
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."
Miguel Torga
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Como ultrapassar a mágoa?
O que mais me magoa,
e a mágoa instalou-se para ficar,
é sentir que o respeito que dizias ter,
por todas as pessoas,
um respeito universal,
um valor incondicional,
afinal não passava de conversa fiada
para inglês ver,
e ingénua acreditar...
Como ultrapassar a mágoa?
e a mágoa instalou-se para ficar,
é sentir que o respeito que dizias ter,
por todas as pessoas,
um respeito universal,
um valor incondicional,
afinal não passava de conversa fiada
para inglês ver,
e ingénua acreditar...
Como ultrapassar a mágoa?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Triste é não ter inimigos
Se é triste não ter amigos,
«Ainda mais triste é não ter inimigos.
Porque quem não tem inimigos,
É sinal que não tem:
Nem talento que faça sombra,
Nem carácter que impressione,
Nem coragem para que o temam,
Nem honra contra qual murmurem,
Nem bens que lhe cobicem,
Nem coisa alguma que invejem...»
Voltaire
«Ainda mais triste é não ter inimigos.
Porque quem não tem inimigos,
É sinal que não tem:
Nem talento que faça sombra,
Nem carácter que impressione,
Nem coragem para que o temam,
Nem honra contra qual murmurem,
Nem bens que lhe cobicem,
Nem coisa alguma que invejem...»
Voltaire
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
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