domingo, 31 de maio de 2015



Era um brilho especial no olhar,
Aquele com que nos olhávamos...

Alguns já partiram!
E que saudades Deus meu...

Outros ainda deambulam
Tal amostra que se quer...

Aquele brilhozinho ainda vem,
Sempre que as lembranças 
Assomam...

Saudade e nostalgia... 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Os Teus Olhos

Direi verde

do verde dos teus olhos

de um rugoso mais verde

e mais sedento


Daquele não só íntimo

ou só verde

daquele mais macio mais ave

ou vento


Direi vácuo

volume

direi vidro


Direi dos olhos verdes

os teus olhos

e do verde dos teus olhos direi vício


Voragem mais veloz

mais verde

ou vinco

voragem mais crispada

ou precipício


Maria Teresa Horta, in 'Candelabro'

quinta-feira, 20 de junho de 2013

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

domingo, 20 de dezembro de 2009

Onde mora a memória obscura

"Onde mora a memória obscura,onde
esse cavalo persiste como um relâmpago de pedra,
onde o corpo se nega,onde a noite ensurdece,
caminho sobre pedras na minha casa pobre.
Não conheço esse lago,não fui a esse país.
Mas aqui é um termo ou princípio novo.
Com a baba do cavalo,com os seus nervos mais finos
reconstruí o corpo,silenciei os membros.
Não se estancou a sede,no mesmo caos de agora,
mas a língua rebenta,as vértebras estalam
por uma nova língua,por um cavalo que una
a terra à tua boca,e a tua boca à água".


António Ramos Rosa de Ciclo do Cavalo(1975)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Não se Reconquista o Amor com Argumentos

"(...) Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento, porque ele te faria desgostar de mim. Não te farei censuras: elas irritar-te-iam justamente. Não te direi as razões que tu tens para amar-me, porque não as tens. A razão de amar é o amor. Também não me mostrarei mais, tal como tu me desejavas. Porque tu já não desejas esse. Se não, amar-me-ias ainda. Mas educar-te-ei para mim. E, se sou forte, mostrar-te-ei uma paisagem que fará de ti meu amigo."

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Súplica

"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada."


Miguel Torga